O PSB já começa a demonstrar que a possível “independência” do PT no
Recife, sem apoiar a base aliada (Frente Popular) do prefeito eleito, o
socialista Geraldo Júlio, não faz sentido. Por outro lado, os cinco
parlamentares petistas da Câmara de Vereadores ainda não definiram que
rumo o partido tomará na capital pernambucana. As informações dão conta
de que o Partido dos Trabalhadores estaria adiando o seu posicionamento
para ganhar mais força nas negociações para a composição da Mesa
Diretora do Legislativo Municipal.
No caso da indefinição a respeito do apoio a Geraldo Júlio, isto se
deve ao fato de o governador Eduardo Campos (PSB) ter lançado
candidatura própria diante de um cenário político no qual se tinham dois
partidos aliados históricos, deixando os petistas com o sentimento de
que foram “traídos”. Após a derrota do PT nestas eleições, ficou a
dúvida se o partido apoiaria os socialistas a partir de 2013.
Os vereadores reeleitos pelo PT, Jurandir Liberal, Henrique Leite,
Jairo Brito, Osmar Ricardo e Luiz Eustáquio já deram início aos
diálogos, porém nada está definido. De qualquer forma, os petistas devem
aderir à Frente Popular, mesmo com o candidato do partido neste pleito,
Humberto Costa, e seu vice, João Paulo, líderes das correntes
Construindo Um Novo Brasil (CNB) e Articulação de Esquerda (AE),
respectivamente, defenderam a independência da legenda na Câmara de
Vereadores.
Em nível estadual, o Partido dos Trabalhadores ocupa as secretarias
de Transportes, com Isaltino Nascimento, Cultura (Fernando Duarte) e
Governo (Lauro Romão), além da Empresa Pernambucana de Transporte
Intermunicipal (Dilson Peixoto). Diante desta ligação, o presidente
estadual do PSB, Sileno Guedes, afirma que um distanciamento por parte
do PT em nível municipal não faz sentido algum.
“É esquisito o PT apoiar a gente parcialmente. Não existem dois PTs.
Estamos aguardando, porque o partido não tem opinião formada, e
esperamos o tempo deles. Estamos no mesmo projeto e esperamos apoio. Da
mesma forma que apoiamos (a presidente) Dilma Rousseff (PT), queremos
que eles nos apoiem. A bancada estadual nos apoia e esperamos apoio dos
vereadores. Seria inusitado contar com o apoio no Estado e no Recife
não”, observou, de acordo com o jornal Folha de Pernambuco.
Segundo o cientista político da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj),
José Luiz da Silva, a possível independência do PT no Recife causaria um
isolamento político da sigla. Na avaliação do estudioso, diante da
crise interna vivenciada pelos petistas neste ano, permanecer como
integrante da Frente Popular aumentará a probabilidade da legenda se
reerguer e sanar as fissuras internas hoje existentes.
“A posição de partido não é interessante para o PT do ponto de vista
pragmático, de inserção na quadra política do Recife. Se ocorrer o
isolamento político vai ser danoso para o PT porque fará com que o
partido deixe de barganhar espaços”,