Sem as presenças do deputado federal João Paulo e do pré-candidato a prefeito do Recife, Humberto Costa – que alegaram compromissos eleitorais na Região Metropolitana – e com um atraso de quase duas horas, os petistas de Petrolina formalizaram na noite de ontem (28), no Espaço Trevo, o nome de Odacy Amorim para disputar a prefeitura. Nos discursos, nenhuma novidade: a tentativa da Frente Popular, liderada pelo governador Eduardo Campos (PSB), de sufocar a candidatura própria do PT na cidade, marcou o encontro.
E coube às duas lideranças de maior história no partido em Petrolina as palavras mais duras. Primeiro foi a vereadora Cristina Costa, que se remeteu – sem citar nomes – aos integrantes do PSB local. “A gente está aqui hoje (ontem) para dar um ‘basta’ ao autoritarismo, à arrogância, à prepotência. Não queremos uma democracia onde o que vale é o ‘meu projeto pessoal’. Não vamos nos deixar levar pela política dominante, seja ela a econômica (referindo-se a compra de votos) ou a política rasteira, dos tempos da ditadura militar”, afirmou.
Na mesma linha, a presidente municipal do PT, deputada Isabel Cristina, aprofundou as críticas. Em seu discurso, a líder afirmou que o evento de ontem serviu para “calar” aqueles que diziam que a candidatura de Odacy não ia existir. “Agora, mais uma vez, nós vamos mostrar a força e a coragem que o Partido dos Trabalhadores teve nesse país, contra os opressores”, disse Isabel, ressaltando que a convenção de ontem foi o momento mais importante do partido na cidade.
Dizendo-se otimista com a candidatura de Odacy e do presidente municipal do PPS, Vilmar Cappellaro – que na quarta-feira (27) foi anunciado o vice do petista – Isabel disse que Petrolina vive outros tempos, e portanto não cabem velhas práticas de 50 anos atrás. “Se Petrolina hoje é uma outra cidade, por que a política tem de ser a mesma, a da imposição?”, alfinetou. Ainda em tom de desabafo, completou. “Não temos medo das malas pretas de dinheiro. Quem duvidar da capacidade de luta do PT vai cair do cavalo. Temos apenas dois partidos (na coligação), mas o terceiro é o maior de todos, é o povo”.
Esperança
Penúltimo a falar, Cappellaro disse que a opção pela aliança com o PT deveu-se a projetos parecidos com o do seu partido, o PPS, e em nenhum momento se colocou como “dono” da legenda, mas como líder, para dialogar com os petistas. “A escolha democrática por Odacy não foi por empregos nem propostas indecentes, e sim pelas ideias e projetos que ele representa para Petrolina”, afirmou, chegando a lembrar que ainda na década de 80, quando ainda morava no Sul do país, ajudou a fundar o PT em sua cidade-natal.
Encerrando o evento, Odacy lamentou a “maneira agressiva e perversa” com que perdeu aliados – inclusive o vereador do PP, Osinaldo Souza, que estava na convenção de ontem mas foi orientado a não falar por Dulcicleide Amorim, esposa de Odacy e que comandava, até então, a comissão provisória do partido. O PP desistiu da aliança com o PT para acompanhar o pré-candidato do PSB, Fernando Filho.
O petistas chegou a dizer que nem mesmo o fato de ver familiares que o acompanhavam optar pelo socialista o fez esmorecer. Justificou ter sido leal ao grupo a que pertenceu, antes de trocar o PSB pelo PT, e garantiu que o pleito de 2008 – quando não teve a chance de disputar a reeleição por divergências internas do seu ex-partido – está superado. Mas não poderia perder a chance de se colocar novamente na disputa porque “tem sido convocado” pela população, através de pesquisas. Citou, também, o fato de ter sido o deputado estadual (eleito em 2010) mais votado na história da região. “Não tive dinheiro para fazer uma grande campanha, mas tive o povo. E o povo de Petrolina é meu maior aliado”, completou. do blog de carlos britto.