quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Educação para quê?! Deputados federais recusam projeto de uso dos royalties do petróleo para a Educação

Depois de uma reviravolta no plenário, os deputados a Câmara dos Deputados aprovou, ontem à noite, projeto de lei do Senado que redistribui a renda dopetróleo – royalties e participação especial (PE).
Foi uma derrota para a presidente Dilma, inclusive no quesito que direcionava royaltes para a Educação.

O texto aprovado pelos deputados  não reserva royalties para áreas específicas, como educação ou saúde.
Nos últimos dias, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, foi eleito o principal interlocutor do Planalto em defesa de uma proposta que destinasse todo o recurso dos royalties para a educação e não alterasse a distribuição dos campos já licitados.
A primeira reação vinda do Palácio do Planalto é que não há como fazer veto parcial e que o Congresso terá que arcar com o ônus de tirar dinheiro da educação e dos Estados produtores.
O deputado Carlos Zarattini (PT-SP), relator do projeto na Câmara não aceitou o pedido do governo para mexer apenas nos recursos futuros, dos campos a serem licitados. Mas, para atender em parte ao Planalto, aumentou os recursos para o setor da educação em cerca de R$ 15 bilhões, já a partir do ano que vem. Toda a verba da participação especial da União iria para a educação (a parte de royalties seria destinada à defesa e à ciência e tecnologia), assim como todo o recurso destinado a Estados e municípios (royalties e participação especial), por meio dos fundos especiais, distribuídos pelos critérios dos fundos de participação dos Estados (FPE) e dos municípios (FPM). O petista também negociou com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e concordou em aumentar os recursos para os Estados produtores, reduzindo os dos municípios.
Um dos principais defensores, no plenário, da preferência ao projeto do Senado foi Sílvio Costa (PTB-PE). “Esse projeto [do Zarattini] não agrada ninguém”, disse. O texto do Senado foi aprovado em outubro de 2011. É de autoria do senador Wellington Dias (PT-PI) e o relator foi o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Assim como o substitutivo de Zarattini, ele altera a distribuição de royalties e PE de todo o petróleo localizado no mar, inclusive dos campos já licitados.
Pelo texto, a União tem sua fatia nos royalties reduzida de 30% para 20% já em 2012. A arrecadação dos Estados produtores – ou confrontantes, ou seja, cujo litoral está diante de campos de petróleo – cai de 26,25% para 20%. Os municípios confrontantes têm a maior redução: de 26,25% passam para 17% em 2012 e chegam a 4% em 2020. Os municípios afetados pelas operações de embarque e desembarque também sofrem cortes: de 8,75% para 2%. Em contrapartida, os Estados e municípios não produtores saltam de 8,75% para 40% até 2020.
Agora, o projeto segue agora para sanção da presidente Dilma Rousseff.