terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Câmara vai à Advocacia-Geral da União e ameaça não cumprir decisão do STF


 

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), disse nessa segunda-feira que já pediu à Advocacia-Geral da União (AGU) um parecer sobre a possibilidade de o Legislativo recorrer da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que torna automática a cassação dos condenados no processo do mensalão. O petista acusou a Corte de ter cometido uma “ingerência” sobre a Casa e sugeriu que os deputados podem acelerar a tramitação de projetos que tratam das prerrogativas do Supremo, como reação à decisão.
“Há uma lista de projetos na Câmara que estão tramitando há algum tempo e que tratam das prerrogativas do STF. Não tenha dúvida de que, nessa linha que está, certamente vão andar com mais rapidez”, disse Maia, acrescentando que “o ideal seria que o STF não se envolvesse tanto e não tentasse limitar as prerrogativas do Parlamento”. Para ele, a decisão da Corte foi “precária” por ter saído de um resultado apertado (5 voto a favor e 4 contra) e sem a composição total do Supremo, de 11 ministros.
Maia, que já chegou a ameaçar descumprir uma eventual decisão do Supremo pela cassação automática, disse que encaminhou, na semana passada, um pedido à AGU para que fossem estudadas as possibilidades de reação da Câmara diante da posição do Supremo. “A nossa tarefa é cumprir a Constituição na sua integralidade. Quando há matéria, que é julgada pelo STF, que não condiz com aquilo que diz a Constituição e que trata de uma prerrogativa da Câmara, é sinal de que houve uma ingerência.”
Sobre a declaração do ministro Celso de Mello de que “afirmações politicamente irresponsáveis” estão associadas a “reações corporativas”, Maia disse que não faria comentários e destacou que, no voto em outro processo, o decano do STF defendeu a cassação de mandato como uma prerrogativa da Câmara. O petista disse ainda que a Câmara só reagirá oficialmente quando houver o processo do mensalão tiver transitado em julgado, o que deve passar a decisão da Casa ao seu próximo presidente. Maia deixa o cargo no fim de janeiro.
Uma das candidatas à sucessão de Maia, a vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), disse que agora o STF “deve se incumbir de todos os processos de cassação”. “O que adianta analisar os casos no Conselho de Ética se quem vai dar o parecer final é o Supremo?”, questionou. Para ela, o Supremo não pode ter “meia responsabilidade”.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que divergências entre Poderes da República “não ajudam o país”. “Como o acórdão só vai ser publicado no próximo ano, espero que, até lá, seja encontrada uma solução que evite qualquer desarmonia entre os Poderes.” (Do Estado de Minas com agências)