
247 - Chegou ao fim na noite desta quarta-feira, às
21h55, uma vida dedicada à arquitetura. Oscar Niemeyer, de 104 anos,
morreu no Rio de Janeiro, vítima de complicações renais e desidratação.
Ele estava internado desde 2 de novembro no Hospital Samaritano, em
Botafogo, na Zona Sul. Niemeyer completaria 105 anos em 15 de dezembro.
O boletim divulgado nesta quarta-feira 5, assinado pelo médico
Fernando Gjorup, clínico e terapeuta intensivista, informava que, por
conta de uma infecção respiratória, Niemeyer estava sedado e respirando
com a ajuda de aparelhos.
Ainda de acordo com o boletim, havia uma piora no estado clínico do
arquiteto. O estado de saúde do arquiteto já havia piorado nesta
terça-feira, segundo exames laboratoriais.
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
Símbolo da vanguarda e da crítica ao conservadorismo de ideias e
projetos, o carioca Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho,
de 104 anos, que morreu na noite desta quarta (5), é apontado como um
dos mais influentes na arquitetura moderna mundial. Os traços livres e
rápidos criaram um novo movimento na arquitetura. A capital Brasília é
apenas uma das suas inúmeras obras espalhadas pelo Brasil e pelo
mundo.Dono de um espírito inquieto e permanentemente em alerta, Niemeyer
lançou frases que ficaram na memória nacional. Ao perder mais um amigo,
ele desabafou: "Estou cansado de dizer adeus". Em meio a um episódio de
mais violência no Rio de Janeiro, perguntaram para Niemeyer se ele
ainda se indignava, a resposta foi rápida e objetiva. "O dia em que eu
não mais me indignar é porque morri."
Em 1934, Niemeyer se formou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio
de Janeiro. De princípios marxistas, ele resistia ao que chamava de
arquitetura comercial. Até 2009, ele costumava ir todos os dias ao
escritório, em Copacabana, no Rio de Janeiro. A frequência caiu depois
de duas cirurgias – uma para a retirada de um tumor no cólon e outra na
vesícula. Em 2010, foi internado devido a um quadro de infecção
urinária.
Ao longo da sua vida, Niemeyer associou seu trabalho à ideologia.
Amigo de Luís Carlos Prestes, ele se filiou ao Partido Comunista
Brasileiro (PCB) e emprestou o escritório para organizar o comitê da
legenda. Durante a ditadura (1964-985), ele se autoexilou na França.
Nesse período foi à então União Soviética.
Em 2007, Niemeyer presenteou Fidel Castro, ex-presidente de Cuba, com
uma escultura na qual há uma imagem monstruosa que ameaça um homem que
se defende com a bandeira de Cuba. No mesmo ano, foi alvo de críticas
pelo preço cobrado, no valor de R$ 7 milhões, pelo projeto de construção
da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.
Independentemente das polêmicas, Niemeyer se transformou em sinônimo
de ousadia com a construção de Brasília. Os cartões-postais da cidade
foram feitos por ele, como a Igrejinha da 307/308 Sul, construída no
formato de um chapéu de freira cuja obra durou apenas 100 dias.
O Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência da
República, foi o primeiro edifício público inaugurado na capital, em
junho de 1958. Na obra, Niemeyer colocou os pilares na fachada do prédio
para simbolizar o emblema de Brasília.
A sede do governo federal, o Palácio do Planalto, compõe o conjunto
de edifícios da Praça dos Três Poderes onde estão os prédios do Supremo
Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional – formado por duas
semiesferas simbolizando a Câmara dos Deputados (voltada para cima) e o
Senado (voltada para baixo).
Porém, um dos símbolos mais visitados da capital é a Catedral
Metropolitana. Construída como uma nave, o acesso ao prédio é possível
por meio de uma passagem subterrânea. No teto da igreja, há anjos
dependurados.
Em janeiro deste ano (2012), Niemeyer enterrou a filha Anna Maria, de
82 anos, que morreu em consequência de um enfisema pulmonar, no Rio.
Desde então, segundo amigos, o arquiteto passou a sair menos de casa e
ficou mais fechado.