
Vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral já não esconde mais
qual deverá ser o discurso que balizará o provável rompimento entre a
sua legenda e o projeto nacional do PT, encabeçado atualmente pelo
governo da presidente Dilma Rousseff. Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7,
o dirigente admitiu que os socialistas trabalham com a nacionalização
de uma imagem administrativa, que prioriza a descentralização de
investimentos e a modernização da gestão pública. Pontos que se chocam
com o modelo governamental petista.
Posições assumidas pelo PSB em questões como a redistribuição dos
royalties da camada Pré-sal, redefinição da gestão da saúde pública e,
mais recentemente, o debate do novo pacto federativo podem – caso não
sejam respondidas a contento pelo Governo – gerar um ambiente de
instabilidade entre socialistas e petistas.
“Se todas as nossas ideias fossem iguais às do PT, não haveria
necessidade de se ter um PSB”, sintetizou Roberto Amaral, destacando que
os socialistas seguirão defendendo suas posições, mesmo que o governo
Federal bata o pé sobre cada um desses pontos.
A grande maioria dos governadores de Estado e prefeitos compram o
discurso socialista, que vislumbra um horizonte mais otimista com a
divisão de parte do bolo tributário, hoje concentrado na União.
Tanto que Roberto Amaral destaca que uma provável necessidade de se
implantar um regime administrativo mais próximo dos anseios desse
momento “pós-Lula” pode alavancar uma candidatura do PSB à Presidência
da República, com o governador Eduardo Campos como cabeça de chapa. “Não
está descartada”, finalizou o dirigente.