sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Onda de desenvolvimento não beneficiou o Sertão do Araripe

A onda recente de desenvolvimento que se instalou em Pernambuco ainda não mudou a realidade de quem vive no Sertão e no Agreste, como mostra a reportagem do Diário de Pernmabuco. Há bolsões de miséria e pobreza em várias regiões do estado, como revela um informe especial divulgado na última quarta-feira (09) pela Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento.
No Sertão do Araripe, por exemplo, 33,1% dos domicílios sobrevivem com um rendimento mensal per capita de até um quarto de salário mínimo, ou seja, R$ 136,25. E outros 60,9% sobrevivem com até metade de um mínimo, ou R$ 272,50.
Agreste Meridional, Sertão Central e Sertão do Itaparica são outras regiões com índices de miséria acima ou muito próximo dos 30% dos domicílios. Entretanto, espera-se que políticas públicas adequadas e novos investimentos possam mudar esse quadro, melhorando indicadores como emprego, renda e escolaridade. Embora 77% dos investimentos previstos para o estado se concentrem na Região Metropolitana, um terço, ou cerca de R$ 12 bilhões, está destinado ao interior.
“Além da renda baixa, há a questão do analfabetismo. Na maior parte das regiões, em torno de um quarto da população é analfabeta. Se considerarmos o analfabetismo funcional na população com até oito anos de estudo esse número aumenta. Então ainda há uma profunda desigualdade intrarregional”, comenta o economista e sócio-diretor da Ceplan, Jorge Jatobá. Na Metropolitana, a taxa de analfabetismo entre a população de 15 anos e mais é de apenas 8,8%.
Basta olharmos a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) de algumas regiões para percebermos que crescimento nem sempre é sinônimo de melhoria da qualidade de vida. Entre 2000 e 2008, o PIB do Sertão do Araripe cresceu 3,45%, bastante próximo ao registrado na média estadual no período (3,85%). O Agreste Meridional e o Sertão Central cresceram acima de Pernambuco – 4,85% e 4,51%, respectivamente.
De acordo com o levantamento feito pela Ceplan, metade das regiões sertanejas e o Agreste crescem acima da média do estado, mas ainda apropriam muito pouco do PIB estadual. O PIB per capita dessas regiões também vem crescendo. O Bolsa Família ajuda, mas a Metropolitana concentra um terço dos beneficiários.
Os investimentos previstos podem melhorar essa realidade, mas a tendência é haver uma concentração ainda maior na RMR com os novos investimentos, causando diferenças cada vez mais substantivas nos indicadores sociais. “Agora, em relação aos indicadores sociais, há muito o que celebrar. Pernambuco conseguiu dar um grande salto cortando pela metade a mortalidade infantil entre 2000 e 2010”, avalia Jatobá.