Em sua primeira reunião com governadores do Nordeste, a presidente Dilma Rousseff garantiu nesta segunda-feira que o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento não afetará os investimentos na região. Ela afirmou ainda que é impossível cumprir a meta de erradicação da miséria estabelecida por seu governo sem erradicar a miséria no Nordeste
"Se conseguiremos reduzir a desigualdade regional se fizermos aqui um pouco mais do que fazemos no resto do Brasil porque aqui há uma trajetória de desigualdade que vem da oligarquia, da escravidão. Temos que fazer aqui um esforço imenso. Por isso, eu tenho um compromisso, eu diria, de alma, com esta região - disse.
Na região, Dilma obteve 18,4 milhões de votos no segundo turno da eleição presidencial, mais que o dobro dos votos do adversário, José Serra (PSDB).
Segundo a presidente, o ajuste fiscal que o governo está promovendo neste início de gestão difere-se do de 2003, realizado quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse.
"Os nossos cortes orçamentários preservaram o investimento. Estamos, sim, fazendo uma consolidação fiscal. Não é igual ao que foi feito em 2003. Em 2003, o Brasil tinha uma taxa de inflação fora do controle, que não é o caso atualmente. Estamos dentro da margem estabelecida, de dois pontos acima dos 4,5% da meta. Nós não tínhamos US$ 300 bilhões de reserva, como temos hoje. Nem tampouco tínhamos um nível e um projeto de investimento em que todos mantiveram patamar de crescimento", discursou.
"Temos perfeita consciência para que não haja, de fato, no Brasil pressões inflacionárias, que não deixaremos que aconteça, é importante que a oferta de bens e serviços, sobretudo, a taxa de investimento, cresça acima da demanda por bens e serviços. Daí porque nós mantemos integralmente os investimentos com o PAC, Minha Casa Minha Vida, Copa, o PAC 2, especialmente na parte social e urbana, e o PEF (Programa Emergencial de Financiamento), de 2011, que estamos mantendo", completou.
A presidente admitiu que para acabar com a miséria, uma das suas promessas de campanha, não basta apenas ter políticas sociais:
"É importante que vocês entendam as projeções que fizemos para definir esse tipo de política. Nós vamos ter de mobilizar um amplo campo de instrumentos para assegurar que a gente consiga manter a redução das desigualdades e,a o mesmo tempo, consigamos o crescimento acima da média. Todos nós sabemos que não basta só políticas sociais. É fundamental que a economia mantenha uma taxa de crescimento do emprego, que seja capaz de absorver nossos trabalhadores".
Ainda durante o discurso, a presidente disse que, para ela, é importante a aprovação do projeto de lei que estabelece a política de salário mínimo.
"É importante para o Nordeste a política de reajuste e valorização do salário mínimo que nós aprovamos em primeira instância na Câmara e que esperamos aprovar no Senado. Por quê? Porque ela garante um horizonte de crescimento do salário mínimo de forma sistemática", afirmou Dilma.