O Estadão, hoje, revela em editorial aquilo que, no fundo, está irritando o pensamento conservador brasileiro.
“A presidente Dilma Rousseff assumiu oficialmente o comando do Banco Central (BC) e a política de juros é agora decidida no Palácio do Planalto.”
A política de juros deveria ser decidida aonde?
Creio que o Estadão conhece alguns endereços, aqui e lá fora, onde ela já foi decidida.
Definir uma política de juros – o seu rumo, portanto – é definir um dos mais importantes eixos de uma política econômica para um país.
Pretende-se que o presidente da República esteja ausente desta definição? Que lave as mãos? Ou deveríamos ter um presidente do Banco Central eleito que nomeasse um presidente?
Definir uma política de juros não é o mesmo do que definir uma taxa de juros, esta sim uma atribuição do Banco Central, dentro da política que é traçada pelo Governo.
E a política do Governo é anti-recessiva, antidesemprego, anti-roda-presa. Porque é para isso que foi eleito este governo e não outro.
Mas o raciocínio do Estadão – e, por justiça, não apenas o dele – é o de que a soberania popular não alcança o campo da moeda, dos juros e, por extensão, o da economia.
O governo emana do povo e em seu nome será exercido, exceto em matéria de política monetária, no qual ele emana do “mercado” e em nome do mercado será exercido.
De fato, durante muitos anos foi assim. E nos levou ao que sabemos.
Por: Fernando Brito