
O publicitário Duda Mendonça e mais 22 pessoas foram indiciadas pela
Polícia Federal por conta da suspeita de desvios de R$ 1 milhão em um
programa que deveria levar internet de graça para a população de João
Pessoa, na Paraíba. A PF investiga que já havia carta marcada para que a
vencedora da licitação para implantação do projeto Jampa Digital fosse a
empresa Ideia Digital, que tem sede em Salvador. O projeto fora criado
apenas para desviar dinheiro público, conforme o relatório policial.
Além do publicitário, entre os acusados de envolvimento na fraude está o
vice-governador da Paraíba Rômulo Gouveia. O Jampa, orçado em R$ 39
milhões, seria custeado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Segundo
a Polícia Federal, a empresa baiana superfaturou o projeto em R$ 1,6
milhão. A investigação descobriu ainda que R$ 1,1 milhão foram
repassados pela Ideia a empresas fantasmas em São Paulo. O dinheiro
teria sido usado para pagar despesas de campanha do atual governador do
Estado da Paraíba, Ricardo Coutinho, do PSB, e do vice, Rômulo Gouveia,
do PSD. Duda Mendonça é acusado de lavagem de dinheiro, o
vice-governador da Paraíba por corrupção e outras 21 pessoas por
participação no esquema. A Polícia Federal também encaminhou a
investigação ao Ministério Público Federal e recomendou que sejam
apuradas as participações no esquema do governador Ricardo Coutinho, de
dois deputados federais e do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro.
Antônio Carlos de Almeida Castro, advogado de Duda Mendonça, afirmou
desconhecer o indiciamento do publicitário e que o publicitário recebeu
R$ 500 mil da campanha eleitoral de Coutinho. Em nota, a assessoria de
imprensa da empresa Ideia Digital disse desconhecer o relatório da
Polícia Federal e o indiciamento dos proprietários.