segunda-feira, 26 de setembro de 2011

PMDB vê em Lula e no PT principal obstáculo contra vitória nas urnas

A reação do eleitorado à razoável estabilidade da economia brasileira e o precoce trabalho de corpo a corpo do PT — encampado principalmente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — no debate sobre candidaturas para prefeito em 2012 ligaram o sinal de alerta no PMDB. Apesar da meta audaciosa de elevar de 1.175 para 1.300 o número de prefeituras comandadas pela legenda no próximo ano, a cúpula do partido, na verdade, teme perder espaço no pleito de 2012. E vê no PT o principal motivo para sua preocupação.

“Já será difícil manter o tamanho atual do partido nos municípios, quem dirá conquistar prefeituras”, admite um cacique peemedebista. “O problema é que o PT fez o dever de casa e capitalizou para si os avanços do governo anterior. O PMDB falhou em não fazer o mesmo.” As regiões avaliadas como mais problemáticas são o Nordeste, onde a aceitação ao PT é alavancada pelos altos índices de aprovação ao governo do ex-presidente Lula, e o Sul, muito por conta das rachaduras ocorridas na legenda na campanha presidencial de 2010. Nos três estados da região, o PMDB se dividiu entre as candidaturas de Dilma Rousseff e José Serra ao Palácio do Planalto. E agora paga a fatura
Detentor do maior número de prefeituras entre os partidos, o PMDB vem experimentando nas últimas eleições um lento declínio no Executivo municipal. No pleito de 1996, a legenda elegeu 1.311 prefeitos, mais do que estabeleceu como objetivo para o próximo ano. Em 2000, encolheu para 1.260. Em 2004, foram 1.061.

A legenda está longe de perder a hegemonia entre as prefeituras — o PSDB, segundo colocado, elegeu 788 prefeitos em 2008. No PT, foram 558 os eleitos naquele pleito. “Mas a redução no número de prefeitos se reflete também na perda de capilaridade de um partido. E isso tem um impacto significativo na formação de bancadas parlamentares e na eleição de governadores”, pondera o vice-presidente do diretório nacional do PT, deputado José Guimarães (CE).

Para o deputado, a tensão entre as duas legendas levou a uma antecipação das articulações em torno da disputa pelas prefeituras do próximo ano. “Normalmente as prévias para escolha de candidatos ocorrem lá por janeiro, no ano da eleição. A prévia para a prefeitura de São Paulo está marcada para 27 de novembro”, diz Guimarães, citando como exemplo a contenda de maior destaque para as eleições de 2012