O leilão de energia nova realizado esta semana trouxe uma novidade.
Pela primeira vez, o preço da energia eólica ficou perto do preço da gerada hidraulicamente.
O megawatt saiu a R$ 99, uma expressiva queda ante os R$ 136,80 do leilão realizado ano passado e mais ainda se considerado o preço de R$ 148 do primeiro leilão do qual participaram usinas eólicas, em 2009. E ligeiramente inferior aos R$ 102 por MW por que foi arrematada a energia da expansão da usina de Jirau, no Rio Madeira.
O preço mostra que a geração de energia pelos ventos não só vai se tornando economicamente viável – pelo barateamento dos equipamentos, fabricados em escala cada vez maior aqui como também pelo domínio da tecnologia e, em alguns casos, como o da fabricação de pás, até liderança neste setor, como é o caso da Tecsis, de Sorocaba, recentemente capitalizada num acordo entre a Unipar, a gestora de investimentos Estáter e o BNDESPAR, que fabrica dois terços das pás usadas pelos geradores da GE Wind, uma das gigantes mundiais.
“Combustível” para essa geração não falta. Há medido um potencial de 150 mil megawatts, equivalente a dez usinas de Itaipu. E esse é um cálculo conservador, com medição dos ventos a 50 metros do solo, o que é superado pelas torres mais modernas, que passam dos 100 metros, o que poderia representar um acréscimo de 50% no potencial total.
Mesmo não sendo uma solução estrutural, a energia eólica é capaz de, como fonte complementar, suprir parte expressiva de nossas necessidades, trabalhando dentro de um sistema interligado e coordenado, que permita “economizar” energia retida nos reservatórios das hidrelétricas nos períodos de ventos constantes e “gastá-la” nos momentos em que cair a capacidade de geração eólica.
Metade do potencial de geração está no Nordeste – especialmente no Rio Grande do Norte e Ceará – e é mais intenso na época de águas baixas no Rio São Francisco, que abastece de energia a região. Sudeste (Espírito Santo e noroeste fluminense) e Sul também têm boa capacidade de gerar eolicamente energia.
Esse é um setor onde aproveitamos, hoje, menos de 1% do que podemos usar. E é de enorme potencial. Em países com alto uso de energia eólica, como a Alemanha, a fabricação de componentes para aerogeradores já gera mais emprego que a indústria automobilística.
Mas, para isso, é preciso investir. E as oportunidades estão aparecendo. O BNDES também financia projetos eólicos, exigindo um índice de 60% de conteúdo nacional nos equipamentos. E o Banco do Brasil, em associação com o Banco Votorantim, lançou fundos de investimentos para pessoas físicas, livres de imposto de renda, para financiar projetos de energia sustentável, em geração eólica, com biomassa e pequenas centrais hidrelétricas, com prazos de cinco a 30 anos e retorno estimado em inflação mais 7,5% ao ano.
A estimativa é que captem meio bilhão para investimento. É pouco, perto do que este negócio pode movimentar e representar como fonte de renda segura e permanente. E de energia renovável e limpa.
Por: Fernando Brito
